ALUNO DA ESCOLA CLARICE MORAIS CONQUISTA MEDALHA DE PRATA NA SEMIFINAL DA OLIMPÍADA DE PORTUGUESA

 A Olimpíada de Língua Portuguesa é um concurso de produção de textos que neste ano está em sua 6ª edição. Com ações desenvolvidas pelo Programa Escrevendo o Futuro, contribui para a melhoria do ensino da leitura e escrita nas escolas públicas de todo o país. É uma iniciativa do Ministério da Educação em parceria com a Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Cenpec - Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária. O município de Brumado, através da Secretaria Municipal de Educação de Brumado, aderiu ao Programa no início de fevereiro convidando professores para fazerem suas inscrições e aplicarem as etapas propostas pelo projeto em suas respectivas salas de aula. Após a realização das oficinas, que ocorreram de fevereiro a agosto, os alunos produziram diversos gêneros textuais, como: poema, memórias literárias e crônicas. Em seguida, os textos são analisados por 5 comissões julgadoras: a Escolar, a Municipal, a Estadual, a Regional e a Nacional.

O Aluno Gabriel Araújo e a Professora Izabel Leite Aguiar Almeida da Escola Municipal em Tempo Integral Professora Clarice Morais após passar pelas três primeiras etapas, foram selecionados e participaram nos dias 28, 29, 30 de outubro da Semifinal da olimpíada de Língua Portuguesa (Etapa Regional), categoria Memórias Literárias, em São Paulo, como semifinalistas, para receberem medalhas de bronze. Ambos participaram de atividades culturais (visita ao Museu Afro Brasil, no Parque de Ibirapuera) e de formação (oficinas de leitura e produção de textos) e receberam também um ticket de vale compras para a retirada de livros no local do evento (professora – R$170,00; aluno – R$ 400,00). Com o intuito de comprovar a aprendizagem adquirida pelos alunos durante as oficinas realizadas pelos professores, mais produções textuais foram realizadas por eles. Assim, no dia 30, às 18:30h, na cerimônia transmitida ao vivo no Portal Escrevendo o Futuro, aluno e professora, representando o município de Brumado, receberam medalha de prata e um kindle (leitor de livro digital). Eles fizeram parte de um seleto grupo de 38 finalistas que foram selecionados dentre 125 alunos semifinalistas de todos os estados do país.

A participação deles na 6ª Edição da olimpíada foi uma experiência riquíssima para ambos. O retorno à cidade natal foi marcado pela sensação de conquista e a esperança de que, quando retornarem à Etapa Nacional, consigam a medalha de ouro. Essa vivência evidenciou o excelente trabalho realizado pelos professores da Rede Municipal de Brumado e o comprometimento com a educação integral nas escolas do município de Brumado. 


Segue a memória literária do aluno Gabriel Araújo da Silva:

Lembranças de um amor perdido

De repente o rádio começou a tocar uma moda de viola antiga e me perdi nas lembranças de quando ainda estava na flor da idade. A melodia me fez perceber como os anos passaram depressa e de como aquele tempo era difícil!
A labuta começava cedo, como o som do galo cantando. O sol ainda não havia surgido no horizonte e já estávamos a caminho do poço da comunidade, onde buscávamos água para suprirmos nossas necessidades do dia a dia. Ainda sinto o peso dos baldes cheios e ouço minha mãe gritando: “Rápido, menina, deixe de moleza! Desse jeito não conseguimos encher nossos “reservatórios!” E lá ia eu, com o balde na cabeça e esperança no coração de que um dia tudo iria melhorar.
No entanto, quando a vida começou entrar nos eixos, o sertão nos surpreendeu com uma seca que nunca tínhamos visto antes. Passamos por muito sufoco, já éramos pobres, e ainda esta seca para acabar com nossa plantação. Até nossa fonte havia secado! Para aliviar nossa escassez de água, a prefeitura enviava carros pipas, mas nem sempre era suficiente para a semana toda. Tínhamos que economizar em tudo, até para nos banhar a água era pouca, então tinha que ser o famoso “banho de gato”. 
Oh, época sofrida! Mas, graças a Deus, conseguimos sobreviver. Dias, meses, anos se passaram e a vida continuou do mesmo jeito. A semana passava num piscar de olhos. Isso me deixava feliz, já que o dia mais esperado por mim era o sábado. O dia era tão especial que já começava com o cheiro do mungunzá pairando no ar e nos avisando que era hora de irmos à estação de trem. A maria-fumaça já apitando, nos levava para a feirinha onde nossa barraquinha nos esperava para receber as guloseimas feitas por mamãe. 
Era uma festa! Artistas locais, querendo ganhar fama, embalavam os fortuitos namoricos da época. O flerte acontecia com apenas troca de olhares, já que nossos pais estavam sempre de olhos atentos, vigiando nossos passos. Meu pai, por exemplo, com sua expressão de poucos amigos, conseguia afugentar qualquer pretendente que se interessasse por mim. Até o filho de seu Messias, rapaz estudado na cidade grande, por quem me apaixonei e me perdia em seus lindos olhos azuis, não teve coragem enfrentar o tão temido seu Antônio.
Meu coração palpitava sempre que o via, parecia que meu peito ia explodir! Minhas pernas tremiam quando ele passava perto de nossa barraquinha com a desculpa de querer comprar algumas das delícias ali expostas. Eu olhava, mas logo abaixava a cabeça para que meu pai não percebesse o amor que transbordava em meu peito.
Sofri muito quando soube que ele se casou com a filha de um fazendeiro da região. Com o coração em pedaços, segui minha vida sozinha, não acreditando mais que o amor fosse possível para mim. Mesmo hoje, quando me lembro, sinto meus olhos umedecidos de tristeza.
Anos se passaram e continuei sozinha, vivendo a mesma vidinha de sempre. Toda minha família se foi, meus pais foram morar com Deus, meus irmãos se casaram e agora, com meus 82 anos, olhando para as paredes vazias de um quarto, no asilo da nossa cidade, começo a relembrar a visita que tivemos hoje pela manhã: eram jovens estudantes que vieram ansiosos por nossas histórias de vida que se misturavam com as de nossa cidade. Eles cantaram e conversaram bastante com a gente e assim fizeram com que nossas lembranças, tão bem guardadas no fundo de um baú, esquecido no passado, fossem revividas em um novo tempo, trazendo com elas aquele gostinho de saudade que faz meu coração apertar.


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