Aluno da Escola em Tempo Integral Oscarlina Oliveira recebe Medalha de Prata na Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa

A Olimpíada de Língua Portuguesa é um concurso de produção de textos para alunos de escolas públicas de todo o país. Iniciativa do Ministério da Educação e do Itaú Social, com coordenação técnica do CENPEC, a Olimpíada integra as ações desenvolvidas pelo Programa Escrevendo o Futuro.

O tema das produções é “O lugar onde vivo”, que propicia aos alunos estreitar vínculos com a comunidade e aprofundar o conhecimento sobre a realidade local, contribuindo para o desenvolvimento de sua cidadania.

Este ano de 2019, a Olimpíada está em sua 6ª edição. A Secretaria Municipal de Educação de Brumado aderiu ao programa no início de fevereiro, em seguida, os professores fizeram suas inscrições e aplicaram as oficinas em suas respectivas salas de aula no período de fevereiro a agosto. Após a realização das oficinas, os alunos produziram diversos gêneros textuais, como: poema, memórias literárias e crônicas.

Depois, os textos são analisados por comissões julgadores em 5 etapas. Sendo elas: a Escolar, a Municipal, a Estadual, a Regional e a Nacional.  A crônica “O tempero da vida”, do aluno Luiz Gustavo Carlos Morais foi aprovado nas etapas: Escolar, Municipal, Estadual e Regional.

Nos dias 23, 24 e 25 de outubro, o aluno Luiz Gustavo Carlos Morais, juntamente com a professora, Rosângela dos Santos Marques, da ESCOLA MUNICIPAL EM TEMPO INTEGRAL OSCARLINA OLIVEIRA SILVA,  foram a São Paulo participar de atividades culturais (visita à Pinacoteca de São Paulo)  e de formação (oficinas de leitura e produção de textos). 

Assim que chegaram à capital paulista, como semifinalistas, receberam medalhas de bronze e produziram mais textos durante as oficinas, provavelmente para evidenciar a competência comunicativa dos alunos e comprovar a aplicação das oficinas pelos professores. Além disso, o aluno recebeu um ticket de vale compras no valor de R$ 400,00 para a retirada de livros no local do evento e a professora, um vale compras no valor de R$ 170,00 também para a aquisição de livros.

A cerimônia de premiação, categoria crônica, ocorreu no dia 25, às 18:30, transmitida ao vivo no Portal Escrevendo o Futuro. Dos 125 semifinalistas, que contou com alunos de todos os estados do país, somente 38 foram para a final. O município de Brumado está entre os finalistas, representado pelo aluno e professora já citado anteriormente. Eles receberam medalhas de prata e kindle (leitor de livro digital).

Voltaram para casa, extasiados, viveram uma experiência única em suas vidas. Uma troca de conhecimento riquíssima, um contato com a diversidade cultural do país, enfim, um grande aprendizado. Eles se sentem transformados, revigorados.

Em dezembro, eles voltam a São Paulo em busca do ouro. No entanto, já se consideram vencedores. Pois, essa conquista representa não só a vitória do aluno ou do professor, representa a vitória da escola pública, do comprometimento com a educação.

Que o aluno, Luiz Gustavo Carlos Morais, seja inspiração para toda a comunidade escolar, pelo grande exemplo de empenho e dedicação com os estudos. A nossa estrela maior, escreveu seu nome na história da educação brumadense e merece todo nosso reconhecimento.

 

 

Segue a crônica do aluno:

O tempero da vida

 

Sexta-feira de manhã, num calor de enfartar, TUMTUMTUM TUM! Meu Whatsapp anuncia: minha turma já me aguardava na Avenida Centenário, próximo à Cesta do Povo, para um protesto em prol dos nossos direitos.

Lá vou eu, cabeça erguida, peito estufado, um cidadão consciente. No meu trajeto, percebo que a cidade é um verdadeiro formigueiro. Pessoas chegavam de vários bairros, povoados ou até municípios vizinhos com seus produtos para comercializar. Todo dia de feira é assim! Agora, leitor, avistei um senhor que virou minha cabeça e dilacerou meu coração. Sentado num banquinho, barbas envelhecidas pelo tempo, gritava com voz frágil, chamando seus fregueses:

_ Olha o tem-pe-ro verde! Olha o tem-pe-ro verde!

Os meus olhos pretos encontraram os olhos azuis daquele homem judiado pelo trabalho do campo e pelas ações dos anos. Talvez tivesse uns 50 anos, mas aparentava mais de 70.

A gritaria dos estudantes me lembrou da passeata, já na avenida, me juntei às várias escolas públicas, particulares, universidades, empresas e outras instituições. Trajando preto, cartazes em riste, apitos e buzinas expressando a nossa revolta. A avenida agora era só nossa. Como o tempo não favorecia, foi necessário milhares de garrafas de água, geladinhos e picolés. Os vendedores ambulantes enchiam os bolsos. Os carros e as motos buzinando, não sei se era para ajudar ou pedir licença?! Eu, motivado pelos gritos dos meus companheiros, também gritava: “Invistam na educação!”, “Melhorias para a saúde!”, “Empregos, já!”, “Cuidem dos idosos!”. Nesse momento, me deu um calafrio, lembrei daquele senhor que ficou lá atrás, esquecido por nós.

Da avenida Centenário fomos para a praça Capitão Francisco de Souza Meira, mais conhecida como Praça da Matriz. O cartão postal da cidade. Imponente, viva há mais de 150 anos, a igreja Matriz reina. Neste lugar, a emoção aumenta, os discursos dos protestantes ganham força, nos enchem de esperança. É a fé do povo do sertão que resiste.

As horas passam, já é quase meio-dia. As pessoas voltam para suas casas, não tão satisfeitas, mas com a sensação de dever cumprido. Minha barriga ronca, é momento de ir embora. Passo pelas mesmas ruas, meu coração quer rever aquele senhor. Meus pés se apressam, mas meus olhos não alcançam mais a sua barraca. Ele já se foi! Provavelmente, vendeu tudo. Uma mistura de sentimentos invadiu meu ser. Torci para que os temperos que são o seu sustento, dessem muitos sabores a sua vida.      

Luiz Gustavo Carlos Morais

 

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